domingo, 13 de novembro de 2011

Sísifo

As vezes no meio de vales,
Entre as valas comuns dos dias outrora vividos,
Entre o sangue das derrotas e a esperança das vitórias,
Entre as fatalidades que o Fado nos guarda e nos encomendou outrora,
Surge das sombras
Um qualquer Sísifo,
Que nos eleva ao topo da montanha
De onde observamos o vale,
O vale da vida, da morte,
O vale onde jazem e apodrecem esses guerreiros de momentos
Essas recordações de memorias
E quando por meio do fado voltamos a cair no vale,
O mesmo alguém continua laboriosamente nos colocando no topo,
E tornamos a cair
E ele nos torna a elevar ao cimo da montanha
Para que possamos olhar de cima de uma qualquer nuvem
Não só para chorarmos o nosso findo fado
Mas sim para nos erguermos sobre essas pedras firmes e sólidas
Portadoras da graça de fracasso
Tornando a queda da montanha cada vez menor
E o suplicio desse qualquer Sísifo cada vez menos um tormento e sim uma glória
Até que num qualquer dia que só a Fortuna conhece
Sísifo deixará de ser Sísifo e tornará a Marte
Assim como essa pedra empurrada por esse Sísifo
Revelará Vénus
E a pedra não mais será empurrada por Sísifo
E Sísifo não mais empurrará a pedra
E sobre a essência do ser ser
Serão Marte e Vénus
Vivendo uma eterna harmonia entre essas chamas:
Agape, Philos e Eros.
E perceberás que esse Sísifo és tu e essa pedra sou eu,
E que a chama do nosso Amor é tão forte a tão grandiosa como o amor de Marte por Vénus.
E que nada será mais eterno.
Nem o conhecimento dos homens
Nem qualquer religião ou crença
Poderá algum dia deste nosso Fado explicar a grandiosidade e a força deste sentimento.

[Tiago Carvalho, meu grande amor]

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